Sem dúvida alguma o ano de 2018 está marcado por uma incerteza tremenda. É uma situação extremamente desfavorável sob o ponto de vista macro-econômico, as pessoas estão inseguras para investir e consumir, consequentemente o nível de atividade econômica é baixo. Herdamos um presidente sem autoridade moral e sem liderança. Como comandar ou representar o Brasil sem um mínimo de liderança? Aquele velho ditado que liderança é exemplo simplesmente é a cara do nosso presidente. Quem nesse país se espelha na liderança do Temer, com exceção dos seus séquitos de puxa-sacos? Ninguém! 

O país funciona à base do imediatismo, das emergências, do improviso. Não existe uma ação que tenha sido planejada há pelo menos 2 meses. Governo fraco, sem representatividade e autonomia. Vide o vexame das negociações com os caminhoneiros, se exigissem mudar a letra do hino nacional, o governo cederia; pois se tornou tão vulnerável que simplesmente não possuía nenhuma posição técnica para negociar, foi um vexame! Esse conta ainda vai chegar para nós contribuintes. 

Assim, é de se esperar um aprofundamento da lentidão da retomada econômica, o que certamente irá comprometer o PIB do segundo trimestre e, por consequência, de 2018. Não à toa, as expectativas para o crescimento do ano, que já vinham sendo revisadas em baixa há algumas semanas, se aproximaram de 2% na última pesquisa Focus do mês.

Outro ponto importante a ser observado foi a manutenção da taxa Selic em 6,5% fixada pelo COPOM. De certa forma essa postura surpreendeu o mercado que esperava uma redução de 0,25% pp. O que certa maneira inibe ainda mais as perspectivas de consumo e investimento na produção. Especialistas indicam que essa manutenção é consequência de uma volatilidade de mercado externo e não uma medida anti-inflacionária.

Devido ao crescimento econômico norte-americano, o mercado sente que uma alta dos juros para conter a inflação seja necessária, apesar do FED não ter sinalizado essa possibilidade. Porém, como vivemos de expectativas e especulações, gerou uma desvalorização das moedas em quase todos os mercados. No mês de maio a moeda americana aumentou mais de 7%. Internamente poderemos ter um pequeno aumento da inflação, pois a alta do dólar provocará essa pressão de subida de preços em alguns produtos. Mas, como estamos com inflação muito baixa nos últimos 12 meses, não seria nada preocupante.

No final do dia o que mais devemos estar atentos e bastante preocupados é com a situação fiscal. Observo uma total miopia governamental em tratar desse assunto. Com a  redução de R$ 0,46 no preço do litro do diesel, o governo comprometeu ainda mais as fragilizadas contas públicas do país, uma vez que o custo será integralmente arcado pelo Tesouro Nacional e, posteriormente, por nós contribuintes. 

A medida conta com duas partes: 

  1. R$ 0,16 via corte de impostos, que custará R$ 4 bilhões. Esse valor será compensado pela reoneração da folha de pagamento e eliminação de incentivos fiscais para exportadores;
  2. R$ 0,30 via um programa de subvenção econômica, que custará R$ 9,5 bilhões ao governo. Neste caso os recursos serão retirados da reserva de contingência.

O fato é que o país saiu mais pobre desse episódio. Não existe uma fórmula mágica, vamos ter que pagar essa conta de alguma forma e não há maneira elegante de comunicar. Com a saída da reforma da previdência da agenda governamental, o Brasil é um país doente. A cada dia, semana, mês ou ano que passa o Brasil aumenta sua ferida fiscal. A única chance seria a reforma, porém o governo gastou todo o seu capital político para manter-se no poder e sustentar seu status quo.

Para piorar a situação os candidatos a presidente não falam abertamente da questão fiscal. Ninguém assume essa agenda de maneira técnica e clara para o eleitorado. A notícia é ruim e o remédio é amargo, mas patriotismo é mais que torce pela seleção na copa, falar e discutir os verdadeiros problemas que vão colocar mais brasileiros na pobreza e sofrimento é fundamental para podermos decidir nosso próximo presidente.  

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