Em 1983 um gerente de banco estatal no interior do nordeste era a terceira pessoa mais importante da cidade, depois do prefeito e do padre. Ganhava em  números atuais acima de R$ 20.000 mensais. Atualmente esse gerente tem um salário médio de R$ 7.000 sendo otimista. Mas o que aconteceu nessas 3 últimas décadas para as coisas mudarem tanto?

Pra começar, esse gerente merecia ter esse salário na década de 80? Sim, merecia. Ele tinha um ativo chamado relacionamento. A liberação de financiamentos para produção agrícola movia a economia local. Sua avaliação e sensibilidade eram fundamentais para julgar como iria direcionar os recursos de sua organização. Sua inteligência social fazia muita diferença, efetivamente gerava valor para sua empresa e para a sociedade onde vivia. Esse gerente poderia acertar na maioria dos casos, mas invariavelmente em algum momento poderia haver um mal julgamento. Atualmente esses julgamentos são feitos por algoritmos que estabelecem uma régua de análise, eliminando possíveis erros de avaliação.

As coisas mudam em uma velocidade maior que a nossa capacidade de adaptação. A tecnologia vem diminuindo a distância entre países, pessoas e ideias. Atualmente, povos africanos com smartphones possuem um acesso a informação maior que o presidente dos EUA há 15 anos. O denominado pobre norte-americano possui telefone, energia, TV e água encanada, coisas que as personalidade mais ricas do mundo no início do século passado não possuíam. Pessoas da minha geração normalmente terão uma única profissão durante toda a vida. Estudos indicam que nossos filhos terão de 3 a 5 profissões durante sua vida; e para piorar, são profissões que nem conhecemos ainda.

O Uber autonomo já é uma realidade, imaginem a disrupção desse novo modelo de transporte. Um carro que não causa acidentes, não dorme, não te assalta, nem te sequestra. Como ficará o mercado de seguros se houver uma diminuição radical de acidentes?

Na área de educação, como é possível termos atualmente o mesmo modelo de sala de aula de 100 anos atrás. Saímos da economia agrícola, passamos pela revolução industrial e vivemos uma revolução pós-digital onde o compartilhamento de informação faz a diferença.    

Tudo que já existia antes de você nascer, não é encarado como tecnologia. Tudo que é inventado antes dos seus 35 anos você provavelmente terá uma boa aderência para absorver. Tudo que que for inventado pós 35 anos, lhe causará espanto e medo. Por isso é tão difícil entendermos e encararmos as mudanças, medo! Dominar o medo abrirá muitas oportunidades e a inovação ocorrerá. 

Salim Ismail, extrapola essa ideia para dentro das empresas, as que não embarcarem em breve estarão nas cinzas da história, juntando-se à Iridium, Kodak, Polaroid, Philco, Blockbuster, Nokia e uma série de grandes corporações, outrora dominantes em seus respectivos setores, mas incapazes de adaptar-se às rápidas mudanças tecnológicas.

Mas a grande pergunta é: Como sobreviver, viver e progredir nesse mundo de mudanças exponenciais, no qual meu software mental ainda é linear? A resposta é simples: Aprendizado. Como diz o Tiago Mattos, tem que aprender a desaprender e reaprender novamente. Não dá pra fazer as coisas como antes, observe as tendências e não caia na tentação de entender dos assuntos de forma superficial. Sua inteligência social fará diferença, sua humildade para aprender mesmo depois do 40 anos é fundamental. Conhecimentos de gestão e liderança que eu seguia com convicção, hoje em dia estão ultrapassados. Estou desaprendendo e reaprendendo.

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