As próximas linhas contém as quatro características mais marcantes e comuns em  líderes de sucesso.  Primeiramente, gostaria de destacar a formação de hábitos, alguns até podem mudar e contagiar toda uma organização, criar novos hábitos são mais fáceis do que modificar os antigos. Em segundo lugar destaca-se o foco, grandes líderes possuem um foco inabalável, canalizar energia em um objetivo não é tarefa das mais fáceis. Em seguida destaco a resiliência, a capacitade de voltar ao estado de equilíbrio após situações de estresse é fundamental. Finalmente, a comunicação que é um pilar fundamental na arte da liderança. Observe, o quanto pode-se justificar essas características através de fundamentos científicos. Essa é a ideia, informação de qualidade respaldada por meio de grandes autores e cientistas. Boa leitura!

1. HÁBITO

Segundo artigo da Duke University, mais de 40% das ações que realizamos todos os dias não são decisões de fato, mas sim hábitos (2006). E centena deles influenciam nossa rotina. São eles que orientam como nos vestimos, como gastamos sem pensar o nosso dinheiro, como nos relacionamos com nossos filhos e adormecemos à noite. São eles que determinam o que comemos no almoço, como trabalhamos e se vamos acordar cedo, praticar um esporte ou dormir até o meio-dia.

Cada um desses hábitos refletem uma deixa distinta e propõe uma recompensa específica. Existem alguns hábitos simples, outros mais complexos. Todos apoiados em gatilhos emocionais e entregando prêmios neuroquímicos sutis.

Recentemente, profissionais de diversos segmentos passaram a estudar esse tema e entender como os hábitos nascem, a identificá-los, compreendê-los em suas atuações e impactos. Sabe-se que os hábitos, de maneira isolada, demonstram ter pouca significância. No entanto, estudos apontam que os bons hábitos, com o tempo, podem favorecer o êxito pessoal, profissional e organizacional. Os hábitos podem ser criados e modificados; pessoas e empresas, transformadas. À medida que entendemos que eles podem ser reconstruídos, torna-se mais fácil controlar o poder que o hábito exerce sobre nós.

Segundo Aristóteles, nós somos o que fazemos repetidamente.

Segundo William James (1892), nossa vida é repleta de hábitos práticos, emocionais e intelectuais, organizados de forma sistemática para nossa alegria ou dor, que nos conduz rumo ao nosso destino, seja ele qual for.

Stephen Covey (2006) especialista em desenvolvimento pessoal, declara que, além de cultivar os sete famosos hábitos que levam à eficácia, o executivo deve encontrar a própria voz e as vozes dos outros. Stephen compara a liderança com um fósforo: um líder precisa encontrar o próprio fogo –nesse caso, a própria voz– e, então, ser capaz de riscar outros fósforos, ou seja, inspirar os colaboradores a achar a voz deles. O oitavo hábito conduz à grandeza da liderança.

De acordo com Stephen Covey (2011) os hábitos se encontram na interseção do conhecimento, da atitude e da habilidade. Conforme, Charles Duhigg (2012), seus hábitos são o que você escolhe que eles sejam. Quando ocorre a escolha, ela torna-se automática, real e parece inevitável.

Alguns hábitos tem o poder de começar uma reação, como um efeito dominó, mudando outros hábitos de acordo como eles avançam. Tais hábitos são mais significativos que outros na reestruturação, seja de vidas ou de empresas. Esses são chamados de hábitos angulares. Eles iniciam um processo, influenciam decisões e com o passar do tempo, transformam tudo ao redor. Hábitos angulares baseiam-se em determinar as prioridades centrais e torná-las eficientes alavancas. Eles são os mais importantes, os que modificam, desalojam e reformulam padrões.

Devido a relevância e impacto que os hábitos angulares impõem na dinâmica organizacional, explana-se alguns dos principais hábitos já estudados em outras lideranças, devido suas similaridades entre líderes em vários ramos de negócios analisados.

2. FOCO

Focar talvez seja um dos hábitos mais apreciados de nossa realidade. Com os avanços tecnológicos e as diversas formas de distração, fica cada vez mais difícil manter-se focado no seu objetivo maior. Mas, o foco também é algo que nosso cérebro  também pode aprender.

Os homens e mulheres tem foco e atenção diferenciados. Enquanto, homens tem uma visão focal, mulheres são multifocais. Mas, ambos podem desenvolver a capacidade trabalhando suas características a seu favor. Aliado a força de vontade, o foco torna-se a sua melhor alavanca. Após anos de pesquisas, como bem ressalta Todd Heatherton (2012) “quando você aprende a se forçar a ir à academia, a começar sua lição de casa ou a comer uma salada em vez de um hambúrguer, parte do que está acontecendo é que você está mudando o modo como pensa. As pessoas aprendem a controlar melhor seus impulsos. Aprendem a se distrair das tentações. E uma vez que você entrou nesse sulco criado pela força de vontade, seu cérebro tem prática em ajudar você a se concentrar num objetivo.”

Segundo Pianaro (2013), todo ser humano gosta de realizar um sonho. Mas para que realmente valha a pena, deve sonhar grande, promover o sonho e inspirar as pessoas que estão envolvidas nele, de alguma forma. Ter em mente que sonhar grande dá o mesmo trabalho que sonhar pequeno, e que muitas vezes a excelência é dolorosa, exige concentração, trabalho duro e doação. Dessa maneira, ratifica-se o poder do foco na liderança. Como objetivos claros, muito esforço e foco, consegue-se resultados extraordinários. Um líder que foca tem em mente o que, como e quando tem que ser feito a cada passo.

Duhigg (2012), reafirma o poder do hábito do foco, ao explicitar uma vez que uma pequena vitória foi conquistada, forças que favorecem outra pequena vitória são postas em movimento. Pequenas vitórias alimentam mudanças transformadoras, elevando vantagens minúsculas a padrões que convencem as pessoas de que conquistas maiores estão dentro de seu alcance.

Liderança vem do exemplo!

Os líderes competentes são focados na realidade presente e sabem que manter o foco, seja no passado ou futuro, sabota um estágio de realidade: uma busca pela felicidade em outra parte, que não no âmago. O foco no passado não permite vivenciar a riqueza do presente e ocasiona muitas vezes tristeza, depressão; já o foco no futuro, causa ansiedade e frustração. Dessa maneira, vemos tantas pessoas e profissionais infelizes, insatisfeitos, que não se conhecem, nem ao seu próximo, numa procura por felicidade e sucesso distantes. Os que praticam o hábito do foco simplesmente atingem seus objetivos e vencem.

3. RESILIÊNCIA

Daniel Kroeff (2015) em vídeo denominado “A Ciência da Felicidade” aponta a importância de encararmos as dificuldades da vida. Dados científicos asseguram que  pessoas que passaram por dificuldades na vida são mais felizes. Tem-se a idéia de que essas pessoas são tristes, com mais problemas, mas pesquisas de diversas universidades, incluindo Harvard, revelam que essas pessoas desenvolveram mecanismos de conscientização diante das adversidades, aprendizado com as situações ruins e desenvolvimento de estratégias para lidar com as situações tidas difíceis.

À medida que temos consciência das dificuldades, forjamos nossa identidade, reagimos melhor ao estresse e aumentamos a resiliência. Quando se têm experiências negativas e se aprende com elas, o caráter está sendo forjado, lapidado. A persistência é a primeira razão para o sucesso. Kroeff (2015), ressalta ainda, que segundo a Revista Você S.A, a resiliência é tida como a competência mais importante do século.

Shawn Achor (2012) faz referência a Daniel Gilbert,  ao citar: dito de forma simples, a psique humana é muito mais resiliente do que podemos imaginar. É por isso, que quando estamos diante de uma possibilidade terrível – por exemplo, o fim de um romance ou a perda de um emprego -, superestimamos o quanto isso nos fará infelizes e por quanto tempo sofreremos. Tornamo-nos vítimas da “negligência imunológica”, o que significa que costumamos negligenciar o quanto nosso sistema imunológico psicológico é eficaz para nos ajudar a superar as adversidades.

Shawn (2012) cita Daniel Gilbert, autor de Stumbling on Happinness, sobre sua condução em inúmeros estudos demonstrando a negligência imunológica em ação. Gilbert declara que as adversidades, não importa quais sejam, simplesmente não nos abatem tanto quanto supomos. O simples conhecimento dessa idiossincrasia da psicologia humana – que nosso medo das consequências é sempre pior que as consequências em si – pode nos ajudar a adotar uma interpretação mais otimista dos obstáculos e contratempos que inevitavelmente enfrentamos.

Na verdade, os líderes de sucesso não potencializam as situações. A maneira como escolhem ver a natureza dos eventos provoca um forte impacto nas suas formas de  felicidade. Os líderes conseguem ser fortes, capazes e resilientes.

Segundo John Maxwell (2011), os líderes bem sucedidos tem tremenda atitude de vencer todas as dificuldades anteriores, permitem-se tentar, aprendem com o erro, tentam mais uma vez, ou seja, são resilientes.

Resiliência é um termo usado na Física e na Engenharia e refere-se à capacidade de um material absorver energia sem sofrer deformação plástica ou permanente, ou seja, propriedade que alguns corpos apresentam de retornar à forma original após terem sido submetidos a uma deformação elástica. Porém, resiliência é também a capacidade de se recobrar facilmente ou se adaptar à má sorte ou às mudanças. Ser resiliente é ser forte. Resiliência é transformar o negativo em positivo. refere-se ao poder de remover obstáculos.

Froma Walsh (1998) estuda resiliência e declara que as pessoas resilientes apresentam as seguintes características:

  • atribuir sentido à adversidade;
  • olhar positivo;
  • flexibilidade;
  • coesão;
  • recursos sociais e econômicos;
  • processo de comunicação (clareza);
  • expressões emocionais abertas (empatia, etc.);
  • colaboração na solução de problemas.
  • Alguns exercícios utilizados para aumentar a resiliência são comprovados cientificamente e eficazes:
  • Dê tempo a sim mesmo para processar os acontecimentos;
  • Evite reações descabidas;
  • Deixe de resistir às circunstâncias;
  • Considere as possibilidades;
  • Olhe para dentro;
  • Eficaz uso de lembretes visuais, escrever cartas.

Quando vier um pensamento negativo, focar nas virtudes, analisar, interpretar, mudá-lo para positivo. Em momentos difíceis faz-se perguntas como: O que posso aprender? Como eu posso ser beneficiado de alguma forma por essa situação? O que eu ganho com essa situação?

4. COMUNICAÇÃO EFICAZ

Somos formados por um emaranhado de qualidades, características ou traços biológicos, físicos, psicológicos, sociais, culturais e espirituais que mostram um estilo próprio de existência  e comportamento. Significa dizer que necessitamos comunicação e validação apropriadas ao nosso perfil. Quando isso não ocorre, acontecem ruídos, desmotivações e até demissões.

Shawn Achor (2012) afirma que tão importante quanto o que você diz é como você diz. Os bons líderes tem conhecimento de que dar instruções em um tom agressivo e negativo restringe o desempenho  dos liderados, mesmo antes de começarem a tarefa. Por isso, a importância de uma comunicação eficiente na validação de perfis.

Achor (2012) cita Marcial Losada(2008), psicólogo e consultor de negócios que em uma década de pesquisas sobre níveis de desempenho altos e baixos em equipes acompanhadas por ele, declara a proporção mínima entre interações positivas e negativas necessária para fazer uma equipe corporativa ter sucesso: “São necessários cerca de três experiências, expressões ou comentários positivos para combater os efeitos debilitantes de uma experiência, expressão ou comentário negativo” . Sobre níveis de desempenho altos e baixos em equipes acompanhadas por ele, essa é a proporção mínima entre interações positivas e negativas necessária para fazer uma equipe corporativa ter sucesso.

Maxwell (2011), ressalta no Princípio do Martelo que não se deve usar um martelo para espantar uma mosca na testa de alguém. Por esse princípio, a reação é pior que a ação. A reação ao dizer a verdade pode ser pior que a ação em si. Dessa forma, evidencia-se o quão importante deve ser a forma como se diz e não o que se diz em si. Quando comunica-se de forma eficaz, o líder normalmente tem uma visão completa da situação. Sabe-se que quando nos precipitamos diante de um fato que não conhecemos podemos agir de forma equivocada trazendo prejuízos para nossos relacionamentos e organização.

Ouvir, perguntar, conversar e entender antes de agir. Essas pessoas de sucesso habitualmente fazem  tudo no tempo certo pois sabem que  momento de agir é tão importante quanto agir da maneira certa. Até mesmo saber quando não agir pode ser importante. A verdadeira arte da conversação não reside apenas em dizer a coisa certa na hora certa, mas também deixar de dizer a coisa errada, por mais tentador que seja o momento.

Na verdade, os bons comunicadores sabem que um problema tende a mudar de acordo com a maneira que lidamos com ele. Se a reação é pior que a ação, o problema cresce, assim como, se reação é mais branda que a ação o problema geralmente diminui.

A Regra de Ouro “Trate as pessoas como você gostaria de ser tratado” é substituída pela Regra de Platina “ Trate as pessoas como elas gostariam de ser tratadas”. A nova regra abrange o ajuste de comportamento e comunicação conforme a situação.

Artigo de Danielle Mendes, mestranda em Coaching nos Estados Unidos pela Flórida Christian University, MBA Executivo pela COPPEAD/RJ, Graduada em Administração de Empresas pela Universidade Federal do Ceará-UFC.    

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