Eleições e Economia

Sem dúvida alguma o ano de 2018 está marcado por uma incerteza tremenda. É uma situação extremamente desfavorável sob o ponto de vista macro-econômico, as pessoas estão inseguras para investir e consumir, consequentemente o nível de atividade econômica é baixo. Herdamos um presidente sem autoridade moral e sem liderança. Como comandar ou representar o Brasil sem um mínimo de liderança? Aquele velho ditado que liderança é exemplo simplesmente é a cara do nosso presidente. Quem nesse país se espelha na liderança do Temer, com exceção dos seus séquitos de puxa-sacos? Ninguém! 

O país funciona à base do imediatismo, das emergências, do improviso. Não existe uma ação que tenha sido planejada há pelo menos 2 meses. Governo fraco, sem representatividade e autonomia. Vide o vexame das negociações com os caminhoneiros, se exigissem mudar a letra do hino nacional, o governo cederia; pois se tornou tão vulnerável que simplesmente não possuía nenhuma posição técnica para negociar, foi um vexame! Esse conta ainda vai chegar para nós contribuintes. 

Assim, é de se esperar um aprofundamento da lentidão da retomada econômica, o que certamente irá comprometer o PIB do segundo trimestre e, por consequência, de 2018. Não à toa, as expectativas para o crescimento do ano, que já vinham sendo revisadas em baixa há algumas semanas, se aproximaram de 2% na última pesquisa Focus do mês.

Outro ponto importante a ser observado foi a manutenção da taxa Selic em 6,5% fixada pelo COPOM. De certa forma essa postura surpreendeu o mercado que esperava uma redução de 0,25% pp. O que certa maneira inibe ainda mais as perspectivas de consumo e investimento na produção. Especialistas indicam que essa manutenção é consequência de uma volatilidade de mercado externo e não uma medida anti-inflacionária.

Devido ao crescimento econômico norte-americano, o mercado sente que uma alta dos juros para conter a inflação seja necessária, apesar do FED não ter sinalizado essa possibilidade. Porém, como vivemos de expectativas e especulações, gerou uma desvalorização das moedas em quase todos os mercados. No mês de maio a moeda americana aumentou mais de 7%. Internamente poderemos ter um pequeno aumento da inflação, pois a alta do dólar provocará essa pressão de subida de preços em alguns produtos. Mas, como estamos com inflação muito baixa nos últimos 12 meses, não seria nada preocupante.

No final do dia o que mais devemos estar atentos e bastante preocupados é com a situação fiscal. Observo uma total miopia governamental em tratar desse assunto. Com a  redução de R$ 0,46 no preço do litro do diesel, o governo comprometeu ainda mais as fragilizadas contas públicas do país, uma vez que o custo será integralmente arcado pelo Tesouro Nacional e, posteriormente, por nós contribuintes. 

A medida conta com duas partes: 

  1. R$ 0,16 via corte de impostos, que custará R$ 4 bilhões. Esse valor será compensado pela reoneração da folha de pagamento e eliminação de incentivos fiscais para exportadores;
  2. R$ 0,30 via um programa de subvenção econômica, que custará R$ 9,5 bilhões ao governo. Neste caso os recursos serão retirados da reserva de contingência.

O fato é que o país saiu mais pobre desse episódio. Não existe uma fórmula mágica, vamos ter que pagar essa conta de alguma forma e não há maneira elegante de comunicar. Com a saída da reforma da previdência da agenda governamental, o Brasil é um país doente. A cada dia, semana, mês ou ano que passa o Brasil aumenta sua ferida fiscal. A única chance seria a reforma, porém o governo gastou todo o seu capital político para manter-se no poder e sustentar seu status quo.

Para piorar a situação os candidatos a presidente não falam abertamente da questão fiscal. Ninguém assume essa agenda de maneira técnica e clara para o eleitorado. A notícia é ruim e o remédio é amargo, mas patriotismo é mais que torce pela seleção na copa, falar e discutir os verdadeiros problemas que vão colocar mais brasileiros na pobreza e sofrimento é fundamental para podermos decidir nosso próximo presidente.  

Comunismo e biologia

Duas revoluções significativas iniciaram na década de 90: o colapso do comunismo na política e o surgimento dos estudos biológicos no comportamento (teoria da sinalização).

As pessoas trabalham duro para benefício próprio e não para o bem do grupo. Essa tendência se aplica tanto na evolução orgânica quanto na economia humana.

A teoria da sinalização é basicamente comunicar mais de si do que as novidades do mundo. Desde de Darwin sabemos que para sobrevivermos nesse mundo usamos mais autopromoção, automarketing e autopropaganda.

O narcisismo é uma norma evolucionária. Todo pavão se esforça para ser o preferido da pavoa.

Em ano eleitoral, mais que nunca estaremos assistindo e comprovando essa prática, desconfie de qualquer discurso que atenda a essa teoria.

(G. Miller)

#hugomontenegro #economia

Brasil x EUA

Um trabalhador americano produz 04 vezes mais que um brasileiro. Na minha opinião, essa é a verdadeira distância que temos dos países desenvolvidos. Crescimento econômico fundamentado no consumo, não é sustentável e cria uma falsa sensação de riqueza e oportunidade. No Brasil aconteceu exatamente isso antes da crise. O endividamento foi exorbitante,  os subsídios criam uma acomodação e uma sensação de obrigatoriedade catastróficas. Sem falar, é claro, que esse tipo de política é a base para um ambiente de corrupção.

Com a bonança dos subsídios bancados pelo governo, as pessoas achavam que podem viver eternamente nesse ciclo de comprar sem lastro de produtividade que suporte essa situação. O raciocínio é simples, se você recebe recursos, é necessário que você entregue algo em troca. Em uma economia equilibrada e justa deve haver uma troca de valor. Você trabalha e recebe proporcionalmente, se você trabalha muito e é qualificado deve ganha bem e consumir. Se você não o é, deve ganhar pouco. 

O problema é que pessoas despreparadas e sem qualificação estão ganhando mais do que tem capacidade de produzir, essa situação gera desequilíbrio econômico e fiscal. O governo não arrecada e nem recebe valor de trabalho, e ainda tem que manter os subsídios. 

Bem, agora chegamos a outro problema. Alguém deve pagar essa conta. Em qualquer empresa, quando se gasta mais do que se ganha há risco de quebra e essa empresa sai do mercado. No governo, se gasta mais do que se arrecada e quem paga essa conta somos nós através de impostos cada vez mais altos e péssima prestação de serviços. Se uma parte da nação ganha sem produzir, a outra parte a está mantendo, não tenha dúvida disso.

Sempre haverá uma parcela da população que realmente necessitarão de ajuda para manter-se com o mínimo de dignidade. Mas, essa parcela deveria ser mínima e acompanhada com programas que a façam progredir e contribuir com a sociedade, sem estabelecer políticas de eternos salários.

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Voltando ao trabalhador americano, não pense que são mais inteligentes, ou são de crenças ou raça superior. Apenas tiveram um planejamento de longo prazo em educação e capacitação técnica que deu certo. O americano aprendeu a fazer mais e melhor, pois houve tecnologia e estudo no desenvolvimento dos processos.

No Brasil gostaria de ver um governante que tivesse a coragem de investir massivamente em edução mesmo sabendo que ele não colherá os frutos dessa ação, esse tipo de atitude provoca resultados a longo prazo. Nossa cultura e estratégia é egocêntrica e visa resultados pífios de curto prazo, afinal eles precisam se reeleger…Porém, as próximas gerações gozariam de uma situação muito mais confortável em termos de qualidade de vida e oportunidades. E seguramente estaríamos mais próximos dos países desenvolvidos.

Até mais!

Economia consciente

Quantas das nossas atitudes são tomadas conscientemente? Estudos da neurociência mostram que a maioria das nossas decisões econômicas são inconscientes. Por isso, é preciso compreender os mecanismos de funcionamento do cérebro e estar preparado para tomar as decisões mais racionais.

A dor da perda é 2,5 vezes mais intensa que o prazer de ganhar. Portanto, quando você usa o cartão de crédito é como se você NÃO estivesse gastando seu dinheiro. Nossa rede neural inconsciente não foi projetada para diferenciar essa situação, porém se simplesmente você em uma ida ao shopping decidir pagar seus gastos em dinheiro, economizará de 20 a 30%. O dinheiro vivo provoca a dor da perda.

Porque você acha que as administradoras de cartão de crédito são o que são? É um negócio planejado e fundamentado no comportamento biológico humano. Entendeu o papel da neurociência nos negócios?

O poder sobe à cabeça?

Em tempos difíceis na política brasileira, uma pergunta para reflexão: afinal, o poder corrompe ou revela? O médico inglês David Owen e o psiquiatra Jonathan Davidson publicaram um artigo, em 2007, defendendo a existência de uma condição psiquiátrica provocada pela exposição a um cargo de poder. É a síndrome de Húbris, palavra grega que designava o herói que passa a comportar-se como um deus.

A consequência de muitos distúrbios na idade adulta provém de uma displicência (muitas vezes não proposital) dos pais no período da infância, mas também há uma herança histórica que deve ser observada. No mundo corporativo, alimentou-se desde da Revolução Industrial uma lógica de hierarquia e departamentos. Onde há um chefe ou presidente que detém o poder decisório no topo da pirâmide, gerenciando pela coerção. Essa lógica está diferente atualmente, ainda há um líder de referência, mas o poder está na capacidade de engajamento das equipes. E componentes das equipes podem assumir a liderança momentânea em determinados projetos. O ambiente tem um contexto de compartilhamento de informações, poucas camadas hierárquicas e propósito comum acima de tudo.

Abraços!

O futuro das profissões

Em 1983 um gerente de banco estatal no interior do nordeste era a terceira pessoa mais importante da cidade, depois do prefeito e do padre. Ganhava em  números atuais acima de R$ 20.000 mensais. Atualmente esse gerente tem um salário médio de R$ 7.000 sendo otimista. Mas o que aconteceu nessas 3 últimas décadas para as coisas mudarem tanto?

Pra começar, esse gerente merecia ter esse salário na década de 80? Sim, merecia. Ele tinha um ativo chamado relacionamento. A liberação de financiamentos para produção agrícola movia a economia local. Sua avaliação e sensibilidade eram fundamentais para julgar como iria direcionar os recursos de sua organização. Sua inteligência social fazia muita diferença, efetivamente gerava valor para sua empresa e para a sociedade onde vivia. Esse gerente poderia acertar na maioria dos casos, mas invariavelmente em algum momento poderia haver um mal julgamento. Atualmente esses julgamentos são feitos por algoritmos que estabelecem uma régua de análise, eliminando possíveis erros de avaliação.

As coisas mudam em uma velocidade maior que a nossa capacidade de adaptação. A tecnologia vem diminuindo a distância entre países, pessoas e ideias. Atualmente, povos africanos com smartphones possuem um acesso a informação maior que o presidente dos EUA há 15 anos. O denominado pobre norte-americano possui telefone, energia, TV e água encanada, coisas que as personalidade mais ricas do mundo no início do século passado não possuíam. Pessoas da minha geração normalmente terão uma única profissão durante toda a vida. Estudos indicam que nossos filhos terão de 3 a 5 profissões durante sua vida; e para piorar, são profissões que nem conhecemos ainda.

O Uber autonomo já é uma realidade, imaginem a disrupção desse novo modelo de transporte. Um carro que não causa acidentes, não dorme, não te assalta, nem te sequestra. Como ficará o mercado de seguros se houver uma diminuição radical de acidentes?

Na área de educação, como é possível termos atualmente o mesmo modelo de sala de aula de 100 anos atrás. Saímos da economia agrícola, passamos pela revolução industrial e vivemos uma revolução pós-digital onde o compartilhamento de informação faz a diferença.    

Tudo que já existia antes de você nascer, não é encarado como tecnologia. Tudo que é inventado antes dos seus 35 anos você provavelmente terá uma boa aderência para absorver. Tudo que que for inventado pós 35 anos, lhe causará espanto e medo. Por isso é tão difícil entendermos e encararmos as mudanças, medo! Dominar o medo abrirá muitas oportunidades e a inovação ocorrerá. 

Salim Ismail, extrapola essa ideia para dentro das empresas, as que não embarcarem em breve estarão nas cinzas da história, juntando-se à Iridium, Kodak, Polaroid, Philco, Blockbuster, Nokia e uma série de grandes corporações, outrora dominantes em seus respectivos setores, mas incapazes de adaptar-se às rápidas mudanças tecnológicas.

Mas a grande pergunta é: Como sobreviver, viver e progredir nesse mundo de mudanças exponenciais, no qual meu software mental ainda é linear? A resposta é simples: Aprendizado. Como diz o Tiago Mattos, tem que aprender a desaprender e reaprender novamente. Não dá pra fazer as coisas como antes, observe as tendências e não caia na tentação de entender dos assuntos de forma superficial. Sua inteligência social fará diferença, sua humildade para aprender mesmo depois do 40 anos é fundamental. Conhecimentos de gestão e liderança que eu seguia com convicção, hoje em dia estão ultrapassados. Estou desaprendendo e reaprendendo.

Gestão e estratégia para micro e pequenas empresas

8 em cada 10 produtos lançados fracassam.

3 entre 10 empresas fecharão as portas no segundo ano.

6 entre 10 podem fechar por falta de gestão em menos de 5 anos.

Uma das principais causas de fechamento das empresas é a falta de gestão. Podemos destacar que a falta de conhecimento gerencial impacta profundamente na longevidade das empresas.

Atualmente a neurociência vem ocupando um espaço efetivo na gestão das organizações. O que muita gente não sabe é que essa tecnologia (do conhecimento) está acessível para todos os tamanhos de empresa. O observo que o principal obstáculo é a vontade e a iniciativa da busca do conhecimento, as pessoas não possuem ou não sentem a necessidade de buscar esse conhecimento quando planejam empreender. Posteriormente quando as coisas dão errado, a tendência é colocar a culpa no mercado, nos funcionários, na economia ou no sistema.

Na década de 1970, Michael Porter definiu as cinco forças competitivas que blindariam as empresas das ameaças externas do mercado: poder de barganha dos fornecedores; ameaça de produtos substitutos; poder de barganha dos clientes; novos entrantes; e rivalidade entre concorrentes. A matriz Swot é outra ferramenta bastante utilizada na gestão das empresas, fundamentada por Kenneth Andrews e Roland Christensen nas décadas de 1960 e 1970.  Segundo Kotler (2000), o nome Swot é uma sigla que significa Strenghts (forças), Weaknesses (fraquezas), Opportunities (oportunidades) e Threats (ameaças). De forma simplificada, abrange dois ambientes: o interno, referindo-se a forças e fraquezas; e o externo, explorando possíveis ameaças e oportunidades.

Conceitualmente, essas duas ferramentas fazem parte do chamado planejamento estratégico das empresas. Trata-se de um plano gerencial que determina os objetivos da empresa em determinado período de tempo, no qual são estabelecidos planos de ações, indicadores de desempenho, pesquisas de mercado, metas corporativas, fluxos de caixa e outras variáveis importantes sempre considerando, firmemente, os cenários interno e externo. Para a realização desse trabalho, normalmente é demandada uma dedicação de tempo e energia muito grande dos executivos. São ferramentas que utilizam dados e informações de um passado recente para prever como as ações se processarão no futuro com o objetivo de evitar infortúnios. Sua aplicação demanda lógica, racionalidade e frieza de dados. Portanto, as cinco forças de Porter e a Matriz Swot constituem os dois conceitos mais disseminados e ainda utilizados no mundo empresarial.

As 100 maiores empresas do mundo não foram criadas com pesquisa de mercado ou planejamento estratégico. Você acha que a Apple perguntou aos clientes como eles gostariam que desenvolvesse um celular touch (Iphone)? Ou a Microsoft pesquisou se seus clientes sentiam a necessidade do Windows? Ou ainda, que o Google perguntou como deveria ser seu site (o mais visitado do mundo)? Claro que não! O cliente não sabe dizer o que quer, porque suas “verdades” não estão acessíveis tão facilmente.

Essas empresas criam a necessidade na mente do consumidor, no seu inconsciente. Especificamente a Apple, tem a incrível habilidade de vender um celular com menos recurso, menos memória, menos versões, menos pixel, menos sei lá o que…por um preço superior, premiun, com fila de espera, com desempenho, status, simplicidade e intuição impecável…a Apple está na mente das pessoas como referência de qualidade inquestionável. E assim agem muitas outras empresas. Assim é Harvard, Starbucks, Nestlé, Boticário, BMW, Disney, Nike, Toyota…

A economia e o comportamento de consumo tem seus fundamentos no marketing, entretanto, é através da neuroeconomia e do neuromarketing que está sendo possível mapear o “porque” das decisões de consumo. São informações extremamente relevantes para o Negócio, o cliente não fala, ele simplesmente transmite.

Estudos indicam que mais de 80% das decisões de consumo são inconscientes e por impulso. Porque insistimos na comunicação com o “racional” das pessoas? O consumo é por impulso e inconsciente. Saber inserir um “meme” ou informação na mente inconsciente do seu consumidor é uma das coisas mais importantes para que ele compre seu produto ou sua ideia. Existe técnica, estudo e pesquisa científica para isso.

Grande abraço!

A guerra dos memes – Como a cultura influencia no comportamento e nas realizações

Por que as coisas existem? Qual a origem da vida? Que diferença o conhecimento faz na vida? Qual o impacto da cultura no nosso dia a dia? Por que simplesmente seguimos pessoas que não conhecemos? Essas e outras questões fazem um número cada vez maior de pessoas buscarem um significado para sua existência, os memes podem estar no centro de tudo, inclusive nesse texto.

Simplesmente as coisas existem por estarem estáveis. Biólogos e químicos acreditam que o surgimento de um ambiente propício para a primeira forma de vida ocorreu a cerca de 3 ou 4 bilhões de anos atrás. E todos os seres vivos são resultados de um processo chamado de seleção natural, que é o principal  legado do naturalista britânico Charles Darwin. Antes do surgimento da vida na Terra, havia uma forma rudimentar de moléculas proveniente de uma série de processos físicos e químicos. Um grupamento de átomos foi formado e organizado na presença de energia, que em uma configuração estável começou a evoluir. A primeira seleção natural se deu pela seleção das formas estáveis e rejeição das instáveis (sopa primordial). É importante ressaltar que essa análise não tem a pretensão de julgar ou confrontar conceitos religiosos que abordam a origem da vida.

O ser humano busca, ao longo de sua existência, explicações para suas inquietações. Essa confusão mental que atinge milhares de pessoas é consequencia da guerra entre memes (cultura) que tentam se alocar em sua mente. Por exemplo, o meme do seu clube de futebol preferido não deixa espaço que outro clube ocupe espaço em sua mente. Isso até pode ocorrer, porém é um processo mais complexo. Dessa forma também acontece com determinadas marcas que consumimos, simplesmente o meme presente em nosso hipocampo (região do cérebro responsável principalmente pela memória) é muito poderoso, o que nos impede de trocá-lo. O mesmo ocorre com questões políticas, são simplesmente memes impregnando mentes a um nível completamente inconsciente. Existem estratégias bem planejadas para se conseguir uma contaminação memética eficiente. Na grande maioria dos casos, os memes que dominam as mentes não contribuem para a qualidade de vida do individuo, mas sim para o benefício de terceiros. O meme do nazismo foi extremamente eficiente (eficiente quer dizer bom replicador e não correto), apesar do horror retratado pela história, o meme foi eficiente em sua replicação e contaminação. Essa é a lógica.

Quem possui mais conhecimento domina quem tem menos conhecimento.

A tendência de quem é preparado é pensar e mandar, quem não tem estudo é mandado e trabalha processando. Países com baixos níveis culturais são facilmente dominados por regimes populistas que não tem interesse em melhorar a educação. Quanto menos educação, mais fácil uma contaminação memética…vide Venezuela, Brasil, países africanos etc…

A cultura pode influenciar no comportamento? Sim, e a evolução cultural ocorre em uma velocidade muito maior que a evolução biológica. Existe uma guerra entre os memes, e a sua mente é o campo de batalha.

Segundo Daniel Dennet (1998), a memética trata a cultura não do ponto de vista dos humanos, mas do ponto de vista da própria cultura. Isto significa tratar a cultura como uma replicadora por conta própria. O raciocínio é que o meme quer ser replicado e não os seres humanos que querem replicá-lo. A grande inovação da memética é o ponto de vista do meme como sujeito principal e não os seres humanos.

A partir dessa nova perspectiva, um meme deve ser visto como uma instrução que busca ser copiada e espalhada como um vírus. E não como um produto criado por um sujeito tentando repassá-lo. Os memes mais comuns são os que mais terão sucesso em ser copiados e espalhados. O que irá garantir esse sucesso é a sua adequação ao ambiente, ou seja a mente humana. Os memes que mais se adequam a estrutura cognitiva humana são os mais aderentes.

A memética é a ciência que estuda como os memes se propagam; é o algoritmo da evolução por seleção natural aplicada diretamente à cultura. Sabe-se que fisiologicamente as pessoas possuem o mesmo cérebro, o que realmente diferencia uma pessoa de outra é a mente de cada um e o seu comportamento. E o que determina comportamentos diferentes é a contaminação memética proveniente do ambiente vivido desde do primeiro dia de nascimento. A experiência de vida é uma constante contaminação memética que reflete nas ações e decisões no presente.

A memética vai muito além da conotação popular do termo meme, embora em algumas ocasiões adote semelhanças biológicas similares em termos de replicação. A mente humana é vulnerável a todo tipo de interferências externas, como educação, cultura, sociedade e família, impondo determinados tipos de comportamentos que nem sempre refletem a dinâmica do indivíduo. A luta pela sobrevivência prevalece tanto no mundo físico quanto no mundo intelectual. Uma ideia é uma forma de pensamento, sua existência depende da capacidade de superar outras teorias que ocupam a mente humana.

Para a memética, os pensamentos passam de pessoa para pessoa similar a uma doença contagiosa. Se uma pessoa for suscetível a tal pensamento, ou seja, se a mente dela for um ambiente favorável par ao meme, a probabilidade de que essa pessoa replique esse pensamento para outras pessoas aumenta.

Meme é a unidade básica de informação que tem o poder de mudar o comportamento humano. ATENÇÃO! não é o meme propagado na internet que estamos acostumados. Trata-se de um tema muito mais complexo.

Para começar os memes cristalizam-se numa parte do cérebro chamada hipocampo, que é responsável pela memória. Estudos recentes indicam que alguns memes apresentam na memória RNA’s e proteínas específicas. O neurocientista Alemão Juan Delius, especialista em memética explicou graficamente a atuação dos memes no cérebro humano.

A cultura exerce um papel fundamental na seleção natural atuando sob uma ótica darwiniana. Os memes seguem a mesma lógica de sobrevivência dos genes defendida por Charles Darwin, ou seja, há dois objetivos principais: sobrevivência e reprodução. Para efeito didático, no caso dos memes, pode-se definir a reprodução como replicação, pois conseguem duplicar-se ou manter-se durante vários anos, décadas, séculos, são extremamente fortes e contaminam a mente das pessoas de forma muito intensa. Memes estão relacionados à sobrevivência e o sexo atingem diretamente a mente inconsciente dos indivíduos. Não necessariamente os memes fortes e bem-sucedidos em sua propagação contribuem para uma melhor qualidade de vida, pois direcionam o comportamento do indivíduo em favor de terceiros.

O sexo atinge diretamente a mente inconsciente dos indivíduos.

Conhecimento de qualidade é adquirido através de memes de qualidade. A contaminação memética e a herança genética influenciam no comportamento dos seres humanos e que possíveis alterações no funcionamento dos genes podem ocorrer mediante impacto do meio externo, chamados processos epigenéticos.

Não temos como escapar de alguma contaminação memética, a cultura faz parte da vida e é necessária para a sobrevivência. Podemos decidir que tipos de memes queremos estar expostos e que irão direcionar nossas ações. Tenho observado que o investimento em educação, viagens e cultura torna o indivíduo mais livre e em melhores condições de decidirem que caminho desejam tomar.

Análise de Informações e Tomada de Decisão

Tomar uma decisão requer mais energia do que você imagina. Atualmente enfrentamos um problema que, ao que tudo indica, deve aumentar com o passar do tempo, que é o grande volume de informações que recebemos diariamente. Com a evolução da tecnologia, o acesso a todo tipo de mídia está mais fácil e rápido. A grande questão é: como processar esse volume de informações a que somos expostos? A visão humana capta 11 milhões de bits por segundo; o córtex cerebral decodifica de 16 bits a 50 bits; e o restante é armazenado no inconsciente. A memória é processada numa região do cérebro chamada hipocampo, existe um limite para armazenamento de informação. Por esse motivo o esquecimento é necessário. Trata-se de uma limpeza de informações que não são úteis para o organismo abrir mais espaço disponível.

Somos, inevitavelmente, produto do meio que vivemos. Somos conduzidos a agir de acordo com as informações que deixamos entrar em nossa mente, formamos nossa cultura repetindo atos e tradições que são transmitas pelas pessoas mais próximas e também, principalmente, pelos smartphones. Se você consome habitualmente futilidades, você não escapará de ser uma pessoa sem conteúdo.

Você é o que você consome!

Mas como decidir com essa avalanche de informações? Realmente não é fácil. Se demorarmos analisando, pode-se perder o time, e acabar perdendo uma oportunidade. Se decidirmos rápido demais corremos o risco de fazer uma análise superficial e incorrer em prejuízos e perdas. A boa notícia é que há uma orientação a ser tomada.

O cérebro gasta 20% de toda energia corporal, é um gastador nato de energia. Ele consome cinco vezes mais energia que um músculo com o mesmo volume. Nós, seres humanos, SEMPRE vamos preferir não pensar muito para não gastar energia. As dicas são:

  • Refute sempre a primeira decisão mesmo que seja óbvia. Com a segunda alternativa, você forçou, em milésimos de segundo, sua mente a enxergar as coisas em outro prisma. Mesmo que você decida pela primeira alternativa, o exercício é válido;
  • Não decidir nada, ficar na dúvida muito tempo gasta muita energia. A dúvida consome tempo e paciência. A dica é: Decida! E se decidir errado, corrija rapidamente. Mas o importante é decidir;
  • Desafie-se em novas experiências. Momentos de alegria e descontração ajudam a descansar a mente e propiciam uma assertividade maior quando ela for exigida;
  • Durma bem! O sono é fundamental para manter o foco no que realmente é importante;
    Selecione o tipo de informação que você consome. Não falo de apenas ler conteúdos intelectuais e chatos. Mas, tente manter um equilíbrio de conteúdo buscando recomendações de pessoas de referencia.

Finalmente, cerque-se de pessoas que possam agregar positivamente em sua vida. Pessoas mal-humoradas, invejosas e de baixo nível cultural, simplesmente sugam sua energia e lhe põe para baixo, evite-as a todo custo! Bons exemplos são fundamentais, imitar pessoas bem sucedidas não há mal algum. Existe um grupo de neurônios que foram descobertos recentemente (década de 90), chamados neurônio-espelhos, são basicamente responsáveis pela imitação e aprendizado. Estudos indicam que são um dos principais propulsores de formação e transmissão da cultura, e agem em determinados níveis de forma inconsciente. Portanto, espelhe-se em pessoas de sucesso, bem sucedidas e exitosas. Analise quais ações essas pessoas praticam para alcançar o sucesso e vá em frente.

Abraço!

Memética – Quem planta colhe!

Se você conseguir ler até o final entenderá o porque da sua situação financeira atual.

“Quem planta colhe”, essa frase dita pelos nossos pais e avós tem uma verdade brutal. Eu jamais vi alguém conseguir provar o contrário. Descobri que essa mensagem tem uma explicação científica perfeita.

A realidade que você vive hoje é consequência do seu passado. Em termos científicos seu passado é composto por dois atores, a genética e a memética.

Sobre genética, tentarei simplificar um pouco. O DNA contém características provenientes dos seus pais e possuem uma interferência impressionante nas suas preferencias e decisões. A informação genética que está no DNA são chamados de genes. Essas explicações são extremamente simples, mas suficientes para entender o raciocínio. As suas decisões trazem uma digital muito grande da sua genética. Se a genética não pode sofrer alteração (por enquanto!), você deve focar na memética.

Sobre memética, é necessário esclarecer que não se trata dos memes da internet.

Meme é uma unidade de informação que provoca mudança de comportamento e é capaz de replicar-se por meio da mente das pessoas.

O hipocampo é uma área do cérebro, onde é armazenado toda a informação e cultura absorvida durante a sua vida (religião, time de futebol, preferencias, estudos, músicas, valores etc.).  A unidade de informação presente no hipocampo é chamado de meme, portanto, no seu hipocampo existem vários complexos meméticos.

A cultura popular humana é formada por memes bem-sucedidos que refletem interesses e preferências dos seres humanos, portanto a cultura humana reflete uma competição evolucionista entre memes. Por esse motivo, palavras, costumes e músicas de 20 ou 30 anos atrás simplesmente não são mais repetidos na atualidade, pois foram suplantados por memes mais fortes. A cultura sofre constantemente uma evolução com a inserção de novos memes modificando o comportamento das pessoas.

O impressionante é que os genes e os memes que você possui hoje agem de forma inconsciente e dominam 95% das suas decisões.

O seu presente é consequência direta do que você  carrega na genética e na memética. Ou seja, se você tem sucesso hoje é porque você no passado ficou exposto e se contaminou com memes de qualidade que direcionaram sua realidade atual. Se você não tem dinheiro, é consequência do comportamento e influencia memética que você teve na sua vida. Quer ser bem sucedido? Direcione sua mente para memes de qualidade. Não será fácil, pois o poder dos memes é violento e se sua genética não favorecer, aumenta o desafio.  O que você permite que entre na sua mente hoje terá impacto no futuro.

A dica é: utilize os 5% de livre arbítrio que resta para tentar ter contato com informações de qualidade (memes de qualidade) que possa realmente cristalizar no seu hipocampo, para futuramente ter uma vida mais promissora.

Plantar não é tão fácil, mas produz resultados incontestáveis!

Leia mais: Pessoas acomodadas, entenda porque ficar longe delas.